Ele sentou na praça por apenas meia hora, e por apenas meia hora descobriu um mundo que jamais pensara existir. Era tudo ficção, eram apenas fatos, eram apenas datas, ele era o cara da meia hora, de meio pai e meia irmã. Nunca conheceu a mãe, e era tudo ficção, mães não existiam para ele, havia apenas um meio pai e uma meia irmã.
Aquela era a praça da meia hora, aquela estátua acima dele tinha apenas metade de um corpo – um busto -, o retrato bem falado de um meio herói, as pessoas não eram exatamente pessoas, elas eram algo indescritível.
Ele viu a ficção em forma de mendigo, ele viu a meia fome em forma de criança e ele viu a meia felicidade que nunca chegaria àquelas pessoas. Ele queria mudar isso ele queria ser inteiro, ele não queria ser o meio cara, queria ser o cara do qual todos falariam pelos seus bem feitos. Mas ele não poderia fazer tudo sozinho, ou então seria apenas uma parte do todo e ele queria ser inteiro. As pessoas passam correndo e a meia hora vai passando junto, só não pode correr porque não tem pernas e é apenas uma medida de tempo, e tempo era o que não faltava àquelas pessoas solitárias em cantos remotos de uma praça. O cara sentia toda a opressão situada ali, e quantas mais opressões existiriam pelas praças de meios bustos?
Ele nunca saberia exatamente, mas ele tinha a certeza que existiam outras meias pessoas sentadas embaixo de outros meio heróis, e estas também queriam o todo, e estas fariam algo por tudo, com tudo e para poucos. A minoria esquecida e sem emprego, a maioria do frio e da meia felicidade. Um pedaço de jornal voa e um meio sofredor nasce. É o destino afiado da ficção, é a realidade de um pedacinho de gente, é a meia utopia, é o desatar cordas.
A meia hora não é mais metade do tempo, o tempo não passa mais tão rápido, as idéias magoam e a hipótese de uma mãe retorna. Ele precisava contar para sua meia irmã, ele precisava pedir desculpas e precisava dela como todo. A meia hora já passou, as pessoas ainda passam e alguns sentimentos continuam intactos.
A ficção não é mais livro, não é filme, ela é presente em todas as praças de meia hora.
Ele agora foi ao futuro, foi buscar um outro destino, o meio herói cumpriu sua missão, ele fará parte do todo a cada meia hora.
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Um comentário:
sempre metade. nunca inteiro.
te amo linda
<3
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