quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ao seu pedido

Eu queria escrever e não sabia como começar, resolvi abrir o dicionário e desenvolver sobre a primeira palavra que li. Foi desfrutar, e depois do que conversamos foi tão irônico ler esta primeiro, era o que deveria ser desfrutável.
Era por ti.
Eu tenho que admitir que, sou fechada a qualquer pessoa, não gosto de ninguém, até que se inicie um diálogo bem travado com tal pessoa, e que ela seja capaz de mudar meu conceito cego sobre sua capacidade intelectual e moral.
Desta vez não foi diferente, eu não suportava olhar para a cara dele, e tinha vontade de soltar um bom palavrão, ainda bem que uma tarde pode mudar a vida, com a minha tarde não foi diferente. Eu iniciei o diálogo por algumas semanas. E mudei meu conceito drasticamente. A mim era necessário um desfecho sem desfeita alguma e eu consegui.
Agora eu me sinto estúpida por tudo o que fiz e deixei de fazer, arrependo-me muito pela primeira impressão e pelo sentimento que deixei aflorar, como pode uma pessoa antes não representar nada e em pouco tempo tornar-se tão essencial em uma mísera vida?
Comigo não foi diferente, eu preciso dele tanto quanto eu preciso de música, é melhor não pensar em futuro algum, pois passado e futuro estão interligados e nenhum dos dois contribui para esta necessidade de estar perto todos os dias.
Se a saudade já é assim tão forte, o que será da trama em meses?
Eu preciso dele ao meu lado todos os dias, isto me faz falta.
[aquele que mantém a saudade]


terça-feira, 31 de julho de 2007

Metade

Ele sentou na praça por apenas meia hora, e por apenas meia hora descobriu um mundo que jamais pensara existir. Era tudo ficção, eram apenas fatos, eram apenas datas, ele era o cara da meia hora, de meio pai e meia irmã. Nunca conheceu a mãe, e era tudo ficção, mães não existiam para ele, havia apenas um meio pai e uma meia irmã.
Aquela era a praça da meia hora, aquela estátua acima dele tinha apenas metade de um corpo – um busto -, o retrato bem falado de um meio herói, as pessoas não eram exatamente pessoas, elas eram algo indescritível.
Ele viu a ficção em forma de mendigo, ele viu a meia fome em forma de criança e ele viu a meia felicidade que nunca chegaria àquelas pessoas. Ele queria mudar isso ele queria ser inteiro, ele não queria ser o meio cara, queria ser o cara do qual todos falariam pelos seus bem feitos. Mas ele não poderia fazer tudo sozinho, ou então seria apenas uma parte do todo e ele queria ser inteiro. As pessoas passam correndo e a meia hora vai passando junto, só não pode correr porque não tem pernas e é apenas uma medida de tempo, e tempo era o que não faltava àquelas pessoas solitárias em cantos remotos de uma praça. O cara sentia toda a opressão situada ali, e quantas mais opressões existiriam pelas praças de meios bustos?
Ele nunca saberia exatamente, mas ele tinha a certeza que existiam outras meias pessoas sentadas embaixo de outros meio heróis, e estas também queriam o todo, e estas fariam algo por tudo, com tudo e para poucos. A minoria esquecida e sem emprego, a maioria do frio e da meia felicidade. Um pedaço de jornal voa e um meio sofredor nasce. É o destino afiado da ficção, é a realidade de um pedacinho de gente, é a meia utopia, é o desatar cordas.
A meia hora não é mais metade do tempo, o tempo não passa mais tão rápido, as idéias magoam e a hipótese de uma mãe retorna. Ele precisava contar para sua meia irmã, ele precisava pedir desculpas e precisava dela como todo. A meia hora já passou, as pessoas ainda passam e alguns sentimentos continuam intactos.
A ficção não é mais livro, não é filme, ela é presente em todas as praças de meia hora.
Ele agora foi ao futuro, foi buscar um outro destino, o meio herói cumpriu sua missão, ele fará parte do todo a cada meia hora.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O espartilho que se perdeu

Garotas não usam mais espartilho
As pequenas esqueceram de suas sapatilhas
Caneta? O que é isso?
Pin Up’s eram a pornografia inocente
Antes da chegada da playboy que conseguiu vulgarizar tudo isso
Elas eram as rainhas da época de Marilyn Monroe
Elas usavam batom vermelho e ninguém as condenava por isso
O futuro é o mesmo de sete anos atrás
Nenhuma idéia mudou
E o fim do mundo ainda não chegou, mesmo sendo anunciado há séculos
A revolução das máquinas nunca deu as caras, esqueceram da revolução dos bichos
Nosso carro não voa desde a década passada
Nossos filhos não são plantados
E os filmes não tratam mais da realidade
Somos o mesmo futuro de sete anos atrás
A idéia continua viva, os homens fazem guerras
E não moramos no céu
Não conquistamos nem mesmo o interior da nossa própria terra
Não comemos pilhas muito menos pílulas
Estudamos e não digerimos a informação
Que ainda é a mesma desde sete anos atrás
A realidade não muda.
Não queira ser comandado por um robô
Não seja você mesmo, porque você é como os outros
Que acreditam em máquinas
Estúpida máquina de dinheiro
Que compra carros que não voam
E que destrói sorrisos que não puderam existir em sua própria mente
Contratos são os atuais sonetos
Poemas são discursos presidenciais
A assinatura é a digital, cortada pelo verbo
Todos assinam suas sinas, esperando o verbo
Mas o verbo não é pilha, não é pílula, e não tem motor
Não tem asas, não faz casas e não é o céu
O verbo ficou no passado de donas de casa
O verbo gostava de conhecer todas as pessoas da cidade
A cidade costumava ser pequena
O rio era o local de encontro, para mães fofoqueiras e crianças bagunceiras
Pais bancários, filhos empresários e o doutor era comunitário
Isso era o verbo, que não quer você que não sabe o que é fazer algo com as próprias mãos, que não seja a morte [verbo].

domingo, 22 de julho de 2007

Minha luta de boxe

O rancor só me fez forte
E o medo não me foi nada
Eu não queria ser isso
E muito menos correr atrás de um sonho que não era meu
Eu amava meu melhor inimigo
E detestava ser contestada
Eu não vivi para viver
Eu não andei sem rumo
E eu não visitei quando deveria
Agora o que me resta?
O jogo da minha vida foi o começo da minha maior decepção
O melhor momento da minha vida eu achei imperfeito
No pior eu senti saudade do imperfeito
Buscando aquilo outra vez, sem mais desculpas ou monólogos.
O meu rancor é você
Eu nunca quero ser igual a você
Eu nunca mais quero sentir você
E pra sempre eu vou precisar de você
Como posso esquecer o tempo que ainda não passou?
Ou talvez o vestido mal passado que você usou
Quem será o que ao final da estória?
E porque você não é meu lápis?
Eu nunca serei a folha do meu desenho
Ou o rascunho mal feito
Eu só serei essa ali...
Aquela.
Que tem músicas sobre a própria vida
Que toma músicas como suas
E que não quer ser a outra
Mas acaba sendo o próprio espelho de uma pintura nada íntima
Tão íntima como uma escova de dente
E tão romântica como uma luta de boxe
Que droga de rancor você pôs em mim

sábado, 21 de julho de 2007

Até quando...?

Você só se acha esperto porque o resto do mundo é vulgar
O mundo só é vulgar porque todo o resto quer se achar esperto
Ninguém dá a mínima pra ti
Eu não ligo pro resto
É bom continuar fingindo que está tudo bem
É bom esconder aquilo...
Mas eles descobrem e eu faço mal.
Vai ser como todas as outras vezes e todos vamos esquecer
Até quando?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Confusões

A parasitação da paráfrase
O parco parvo
O pastifício de prótons
O sedativo que seduz
O semibreve que é semideus
A última unidade do ultraje
A ufania do uivo
O tutor da tortura
O ato de lacrar um lacrau
A hecatombe humana
A mazela do materno
A máxima da miséria
O racionalismo sem raiva
O zodíaco sem zumbido
Desatinar um desacordo
A expressão de um extrato
O exvoto exuberante
O bioma bicolor
A fotocópia no frasco
A vida por um voto
O análogo sem analogia
A guerra da geração
O gracejo de gorar
E a forma de não se viver

terça-feira, 10 de julho de 2007

A minha porta

Uma porta [ponto]
É apenas uma porta, uma mera passagem entre aqui e ali. A minha porta, a porta em que eu me achei cheia de segredos e mistérios. A porta que nunca abri e sempre tive curiosidade em saber o que havia do outro lado. Aqui e ali, e a única coisa que me separava neste misterioso ali era uma pequena porta. Desde pequena eu convivi com ela, e sempre e nunca queria abrir, se eu abrisse o que eu faria depois? Não seria mais meu segredo e eu não sonharia com tal mistério.
O enorme campo e a porta ao final, em um muro. Quando eu era pequena ficava imaginando se ela fora feita para anões de tão pequena, mas eu nunca soube. Poderiam ser anões e a porta me levaria ao bosque da Branca-De-Neve, eu sempre quis que isso fosse real, pois assim poderia passar a tarde tomando chá com a princesa e seus anões.
Eu sentava ali, e ficava a tarde toda sonhando como não sonham os adultos. [ponto]
Às vezes, eu imaginava se aquela seria a porta da Alice, sabe aquela Alice, no país das maravilhas. Ela me levaria a este mágico mundo de cartas e coelhos? Eu realmente quero que isto seja verdade. Na época em que sonhava com isso, era pequena e podia alimentar sonhos impossíveis, hoje cerca de dez anos depois, ainda não abri a porta e não perguntei a ninguém o que há por de trás dela, afinal eu ainda quero isto como meu segredo e ainda gosto de sonhar com meu mundo de Alice e princesas. A única diferença é que talvez hoje eu desenhe meus sonhos e também os escrevo.
Eu vou tirar uma foto da minha porta, a minha somente minha. E a colocarei aqui para que todos possam ver e talvez imaginar o meu mundo de Alice. [ponto]
Eu ainda serei uma boneca.

sábado, 7 de julho de 2007

[ponto]

[Novembro sempre chega.]

Um dia sem dormir. [ponto]
Não há muito em que pensar não há mais nenhuma forma de agir.
Pânico. [ponto]
A respiração é pesada e há algumas páginas preenchidas, folhas do dicionário copiadas e desenhos bem acabados, orgulho. [ponto]
Amigos e tempo desperdiçados
Palavras lidas e bem compreendidas
Mágoas. [ponto]
Um novo tempo novas formas de encarar a mesma realidade
A terapia vai bem [ponto]
Até quando eu vou conseguir não demonstrar sentimento algum? Até quando eu vou conseguir acreditar que está tudo bem e que sempre passará?
Holly [ponto]
O era uma vez...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Desabafo a minha Holly

Acho que este foi o abaixar da bandeira.
Eu serei a eterna Holly e garotos são apenas garotos, eu cansei da maioria deles, de ir e vir. Não há nada sério entre ninguém e isso me cansa, de imaginar como seria, e nunca é.
A eterna Holly subordinada a espécie. Agora eu busco a eterna paz com a Holly em mim, e faço parte da tradição dos pentáculos. A poesia e a arte são meu ar, minha água e a minha vida - Meu Einhorn -. Ele também me matará ao final da trama?
Eu não quero mais passar uma noite fora, não quero mais ser uma garotinha mimada, eu não quero mais sofrer e ser pressionada. Eu quero poder desenhar e costurar o que é meu.
Eu sou a Holly. E ninguém pode encostar em mim, sou mais forte do que tudo, mas será que sou tão forte para aguentar a mim mesma?
Eu não quero filhos, não quero famílias, não quero nada. Eu quero ser um espectro!
Mãe, você jura que terá um tempo no sábado para mim?
E você, jura que amará a Holly em mim?
Eu juro que viverei uma trama dramática, pela minha Holly.

[ Eu tenho problemas, para escrever desta forma, não é possível ._. ]

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A grande falta

[ Isso não é nada agradável. Eu realmente achei que um dia, alguém se importaria com o que eu escrevia. Da alma ao nada. ]

I

Não é interessante estar desinteressada em tudo, alheia ao mundo. Livre demais para poder viver tranquilamente, perdendo meus melhores amigos e sentindo muita falta deles. Eu não sei se provoquei isso, mas agora isso me provoca e realmente, invoca algo de que eu não gosto.
Passei mais um dia medíocre, a única coisa boa de hoje foi ler Camões. Como já citei, mais um dia, medíocre e divertido como todos os demais, porém triste, eu não sei o que há mas não é bom. Meus olhos estavam cheios de água o dia todo e eu não chorei. Sou desumana demais para isso. Eu me sinto tão triste e não consigo demonstrar nada, muito menos fazer planos, eu não sei o que o futuro espera de mim, mas eu no momento não espero futuro algum.
Eu olho um reflexo ao espelho e percebo que eu sou o espelho, mas o que sou eu para ele? Apenas uma imagem distorcida de uma típica urbana, que não pode ser lenda.
Eu não compreendo este período, e tive muitos iguais, a psicologia que conheço não admite que eu assim me sinta, mas é um fato, eu estou diferente. Eu sou diferente.
Uma imagem distorcida de si mesma.
Isso não sai dos meus pensamentos, e eu ainda não consigo chorar.
Não posso distinguir o certo do errado, é tudo igual e tão desigual. Mas eles não possuem uma imagem distorcida ao espelho.
Eu sinto tanta falta dos meus amigos.

II
Enquanto não tinha nada para pensar ou fazer resolvi me auto analizar. Eu tenho perfil de uma psicopata ou talvez uma serial Killer.
Foi estranho chegar a esta conclusão, mas é a real.