quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Predestinar

São apenas fases, não é de todo mal e não há como negar.
Mas minhas metáforas são complexas demais para apenas uma fase, não leia e não odeie. Compreenda que seus amigos não são exatamente seus amigos e que a hora certa nem sempre te faz feliz, seu estado vegetativo é o seu melhor estado e sua mãe é sua avó. São coisas assim que te fazem querer se matar, mas isso não vale a pena, perder toda sua herança por uma fase? Nunca!
Minha personalidade magnética não permite que eu me aproxime de metais estranhos e constrangedores, metais também são uma metáfora, mas é tu quem subentende.
Ocupar todos os dias da semana com sol e lua não lhe trará sorte alguma, o bem e o mal não são insuperáveis e inseparáveis. Somos uma bela ilustração dos desordeiros anti-heróis em nossos livros, nós somos blateradores.
E como tais, precisamos deste círculo imaginário fora dos pólos que nos prendem e nos revolucionam. Essa nudação merece uma prédica sem predicativo, sejamos diretos, ninguém mais agüenta esse vuco-vuco e essa mescla de horários em galego. São coisas incompreensíveis, metáforas ou você é tão ignorante quanto um presidente, parabéns;
Sua púrpura aura não é mais azul, houve uma mudança climática ou uma mudança histórica?

Ausência

[1]
Odeio essa ignorância previsível e a eterna procura de uma desculpa plausível. Mudamos para pior e minha paixão se chama Alice Liddell, talvez pela sua insanidade imprevisível e seus sonhos transcritos em conto. Esses amontoados de dias cansam a qualquer um que desenhe uma coleção de roupas, o que pensar no próximo minuto, como fazer isso em tecido e para quem fazer isso em papel.É bem mais fácil fingir ignorância e alegar não compreender nada do que ler e argumentar, contestar. As pessoas nunca gostam dos contestadores por eles um dia mandarão nelas ou talvez porque elas não gostem de quem desobedece regras típicas por simplesmente achar que algo pode ser melhor sem elas. Precisamos contestar, ir atrás de um coelho e criar um novo espaço dentro desta caverna. Etimologicamente contestação: debate, polêmica, negação.Negação de que? De um mundo sem ideologias criadas, apenas copiadas, em um mundo que se diz moderno mas a única coisa moderna a a imagem de algo velho.

[2]

A saudade que eu sinto é maior que a minha implosão emotiva de todo dia

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ao seu pedido

Eu queria escrever e não sabia como começar, resolvi abrir o dicionário e desenvolver sobre a primeira palavra que li. Foi desfrutar, e depois do que conversamos foi tão irônico ler esta primeiro, era o que deveria ser desfrutável.
Era por ti.
Eu tenho que admitir que, sou fechada a qualquer pessoa, não gosto de ninguém, até que se inicie um diálogo bem travado com tal pessoa, e que ela seja capaz de mudar meu conceito cego sobre sua capacidade intelectual e moral.
Desta vez não foi diferente, eu não suportava olhar para a cara dele, e tinha vontade de soltar um bom palavrão, ainda bem que uma tarde pode mudar a vida, com a minha tarde não foi diferente. Eu iniciei o diálogo por algumas semanas. E mudei meu conceito drasticamente. A mim era necessário um desfecho sem desfeita alguma e eu consegui.
Agora eu me sinto estúpida por tudo o que fiz e deixei de fazer, arrependo-me muito pela primeira impressão e pelo sentimento que deixei aflorar, como pode uma pessoa antes não representar nada e em pouco tempo tornar-se tão essencial em uma mísera vida?
Comigo não foi diferente, eu preciso dele tanto quanto eu preciso de música, é melhor não pensar em futuro algum, pois passado e futuro estão interligados e nenhum dos dois contribui para esta necessidade de estar perto todos os dias.
Se a saudade já é assim tão forte, o que será da trama em meses?
Eu preciso dele ao meu lado todos os dias, isto me faz falta.
[aquele que mantém a saudade]


terça-feira, 31 de julho de 2007

Metade

Ele sentou na praça por apenas meia hora, e por apenas meia hora descobriu um mundo que jamais pensara existir. Era tudo ficção, eram apenas fatos, eram apenas datas, ele era o cara da meia hora, de meio pai e meia irmã. Nunca conheceu a mãe, e era tudo ficção, mães não existiam para ele, havia apenas um meio pai e uma meia irmã.
Aquela era a praça da meia hora, aquela estátua acima dele tinha apenas metade de um corpo – um busto -, o retrato bem falado de um meio herói, as pessoas não eram exatamente pessoas, elas eram algo indescritível.
Ele viu a ficção em forma de mendigo, ele viu a meia fome em forma de criança e ele viu a meia felicidade que nunca chegaria àquelas pessoas. Ele queria mudar isso ele queria ser inteiro, ele não queria ser o meio cara, queria ser o cara do qual todos falariam pelos seus bem feitos. Mas ele não poderia fazer tudo sozinho, ou então seria apenas uma parte do todo e ele queria ser inteiro. As pessoas passam correndo e a meia hora vai passando junto, só não pode correr porque não tem pernas e é apenas uma medida de tempo, e tempo era o que não faltava àquelas pessoas solitárias em cantos remotos de uma praça. O cara sentia toda a opressão situada ali, e quantas mais opressões existiriam pelas praças de meios bustos?
Ele nunca saberia exatamente, mas ele tinha a certeza que existiam outras meias pessoas sentadas embaixo de outros meio heróis, e estas também queriam o todo, e estas fariam algo por tudo, com tudo e para poucos. A minoria esquecida e sem emprego, a maioria do frio e da meia felicidade. Um pedaço de jornal voa e um meio sofredor nasce. É o destino afiado da ficção, é a realidade de um pedacinho de gente, é a meia utopia, é o desatar cordas.
A meia hora não é mais metade do tempo, o tempo não passa mais tão rápido, as idéias magoam e a hipótese de uma mãe retorna. Ele precisava contar para sua meia irmã, ele precisava pedir desculpas e precisava dela como todo. A meia hora já passou, as pessoas ainda passam e alguns sentimentos continuam intactos.
A ficção não é mais livro, não é filme, ela é presente em todas as praças de meia hora.
Ele agora foi ao futuro, foi buscar um outro destino, o meio herói cumpriu sua missão, ele fará parte do todo a cada meia hora.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

O espartilho que se perdeu

Garotas não usam mais espartilho
As pequenas esqueceram de suas sapatilhas
Caneta? O que é isso?
Pin Up’s eram a pornografia inocente
Antes da chegada da playboy que conseguiu vulgarizar tudo isso
Elas eram as rainhas da época de Marilyn Monroe
Elas usavam batom vermelho e ninguém as condenava por isso
O futuro é o mesmo de sete anos atrás
Nenhuma idéia mudou
E o fim do mundo ainda não chegou, mesmo sendo anunciado há séculos
A revolução das máquinas nunca deu as caras, esqueceram da revolução dos bichos
Nosso carro não voa desde a década passada
Nossos filhos não são plantados
E os filmes não tratam mais da realidade
Somos o mesmo futuro de sete anos atrás
A idéia continua viva, os homens fazem guerras
E não moramos no céu
Não conquistamos nem mesmo o interior da nossa própria terra
Não comemos pilhas muito menos pílulas
Estudamos e não digerimos a informação
Que ainda é a mesma desde sete anos atrás
A realidade não muda.
Não queira ser comandado por um robô
Não seja você mesmo, porque você é como os outros
Que acreditam em máquinas
Estúpida máquina de dinheiro
Que compra carros que não voam
E que destrói sorrisos que não puderam existir em sua própria mente
Contratos são os atuais sonetos
Poemas são discursos presidenciais
A assinatura é a digital, cortada pelo verbo
Todos assinam suas sinas, esperando o verbo
Mas o verbo não é pilha, não é pílula, e não tem motor
Não tem asas, não faz casas e não é o céu
O verbo ficou no passado de donas de casa
O verbo gostava de conhecer todas as pessoas da cidade
A cidade costumava ser pequena
O rio era o local de encontro, para mães fofoqueiras e crianças bagunceiras
Pais bancários, filhos empresários e o doutor era comunitário
Isso era o verbo, que não quer você que não sabe o que é fazer algo com as próprias mãos, que não seja a morte [verbo].

domingo, 22 de julho de 2007

Minha luta de boxe

O rancor só me fez forte
E o medo não me foi nada
Eu não queria ser isso
E muito menos correr atrás de um sonho que não era meu
Eu amava meu melhor inimigo
E detestava ser contestada
Eu não vivi para viver
Eu não andei sem rumo
E eu não visitei quando deveria
Agora o que me resta?
O jogo da minha vida foi o começo da minha maior decepção
O melhor momento da minha vida eu achei imperfeito
No pior eu senti saudade do imperfeito
Buscando aquilo outra vez, sem mais desculpas ou monólogos.
O meu rancor é você
Eu nunca quero ser igual a você
Eu nunca mais quero sentir você
E pra sempre eu vou precisar de você
Como posso esquecer o tempo que ainda não passou?
Ou talvez o vestido mal passado que você usou
Quem será o que ao final da estória?
E porque você não é meu lápis?
Eu nunca serei a folha do meu desenho
Ou o rascunho mal feito
Eu só serei essa ali...
Aquela.
Que tem músicas sobre a própria vida
Que toma músicas como suas
E que não quer ser a outra
Mas acaba sendo o próprio espelho de uma pintura nada íntima
Tão íntima como uma escova de dente
E tão romântica como uma luta de boxe
Que droga de rancor você pôs em mim

sábado, 21 de julho de 2007

Até quando...?

Você só se acha esperto porque o resto do mundo é vulgar
O mundo só é vulgar porque todo o resto quer se achar esperto
Ninguém dá a mínima pra ti
Eu não ligo pro resto
É bom continuar fingindo que está tudo bem
É bom esconder aquilo...
Mas eles descobrem e eu faço mal.
Vai ser como todas as outras vezes e todos vamos esquecer
Até quando?

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Confusões

A parasitação da paráfrase
O parco parvo
O pastifício de prótons
O sedativo que seduz
O semibreve que é semideus
A última unidade do ultraje
A ufania do uivo
O tutor da tortura
O ato de lacrar um lacrau
A hecatombe humana
A mazela do materno
A máxima da miséria
O racionalismo sem raiva
O zodíaco sem zumbido
Desatinar um desacordo
A expressão de um extrato
O exvoto exuberante
O bioma bicolor
A fotocópia no frasco
A vida por um voto
O análogo sem analogia
A guerra da geração
O gracejo de gorar
E a forma de não se viver

terça-feira, 10 de julho de 2007

A minha porta

Uma porta [ponto]
É apenas uma porta, uma mera passagem entre aqui e ali. A minha porta, a porta em que eu me achei cheia de segredos e mistérios. A porta que nunca abri e sempre tive curiosidade em saber o que havia do outro lado. Aqui e ali, e a única coisa que me separava neste misterioso ali era uma pequena porta. Desde pequena eu convivi com ela, e sempre e nunca queria abrir, se eu abrisse o que eu faria depois? Não seria mais meu segredo e eu não sonharia com tal mistério.
O enorme campo e a porta ao final, em um muro. Quando eu era pequena ficava imaginando se ela fora feita para anões de tão pequena, mas eu nunca soube. Poderiam ser anões e a porta me levaria ao bosque da Branca-De-Neve, eu sempre quis que isso fosse real, pois assim poderia passar a tarde tomando chá com a princesa e seus anões.
Eu sentava ali, e ficava a tarde toda sonhando como não sonham os adultos. [ponto]
Às vezes, eu imaginava se aquela seria a porta da Alice, sabe aquela Alice, no país das maravilhas. Ela me levaria a este mágico mundo de cartas e coelhos? Eu realmente quero que isto seja verdade. Na época em que sonhava com isso, era pequena e podia alimentar sonhos impossíveis, hoje cerca de dez anos depois, ainda não abri a porta e não perguntei a ninguém o que há por de trás dela, afinal eu ainda quero isto como meu segredo e ainda gosto de sonhar com meu mundo de Alice e princesas. A única diferença é que talvez hoje eu desenhe meus sonhos e também os escrevo.
Eu vou tirar uma foto da minha porta, a minha somente minha. E a colocarei aqui para que todos possam ver e talvez imaginar o meu mundo de Alice. [ponto]
Eu ainda serei uma boneca.

sábado, 7 de julho de 2007

[ponto]

[Novembro sempre chega.]

Um dia sem dormir. [ponto]
Não há muito em que pensar não há mais nenhuma forma de agir.
Pânico. [ponto]
A respiração é pesada e há algumas páginas preenchidas, folhas do dicionário copiadas e desenhos bem acabados, orgulho. [ponto]
Amigos e tempo desperdiçados
Palavras lidas e bem compreendidas
Mágoas. [ponto]
Um novo tempo novas formas de encarar a mesma realidade
A terapia vai bem [ponto]
Até quando eu vou conseguir não demonstrar sentimento algum? Até quando eu vou conseguir acreditar que está tudo bem e que sempre passará?
Holly [ponto]
O era uma vez...